DENÚNCIA GRAVE - Agressão ao patrimônio hídrico de Caxias por empresa de bebidas é debatido na Câmara Municipal

24.8.17
A exploração do lençol freático pela empresa de bebidas Kirin/Heineken em Caxias, foi debatido na sessão desta quarta-feira, 23, na Câmara Municipal.

Na oportunidade, o vereador Catulé leu uma correspondência enviada pelo advogado Frederico José Ribeiro Brandão ao prefeito Fábio Gentil, com cópia  ao presidente da Câmara, em que o mesmo faz um alerta para a exploração da água do subsolo do município pela empresa Kirin/Heineken, assim como lembra da promessa de centenas de empregos, e a geração de impostos e divisas, quando da sua instalação em 2002.

“Há algo mais importante e urgente a ser considerado por envolver interesses urgentes e permanentes da população de Caxias, agora e em breve futuro: a crescente agressão a uma das mais importantes reservas do patrimônio hídrico do município pela exploração sem limites e fora das vistas do poder público local pela empresa de bebidas Schin/Kirin/Heineken”, diz o advogado que em seguida passa a chamar a atenção para os riscos que correm os principais rios da cidade, que formam a principal fonte de matéria-prima da referida empresa: “Não bastasse a retirada de enormes quantidades de água do aquífero formado pela acumulação proveniente do sistema Primavera-Inhamum-Ponte, para completar o processo de fabricação de seu produto principal – cerveja -, mais recentemente a empresa iniciou o envasamento, em escala gigantesca, de água pura, de composição mineral, exportada inclusive para mercados nacionais”, revela ele, citando uma viagem que fez a São Paulo, onde no hotel que ficou hospedado, “era a água servida aos hospedes”.

Atento ao tema, o presidente Catulé endossou a manifestação de Frederico Brandão e lembrou que sempre foi um crítico da empresa desde a sua instalação, uma vez que, naquela época, “todos lembram dos out-doors de 7, 11 e 12 mil empregos, onde todos sabiam que aquilo era coisa de louco”, disse o vereador que ressaltou não conhecer ninguém que diga ganhar a vida trabalhando naquela empresa. “Eles vem de São Paulo, de Minas Gerais e moram em Teresina”, destacou Catulé referindo-se aos diretores da empresa. “Nem aluguel aqui eles pagam”.

O fato de terem recebido isenção de impostos por 30 anos também foi lembrado na fala de Catulé, que ficou estarrecido com tanto benefício concedido à empresa “e agora, na calada da noite, construíram a fábrica de envasamento de água mineral e aqui por esta Casa ninguém soube, ninguém viu, ninguém sabe, Não gerou e continua não gerando rendas, porque não paga impostos, e consequentemente não gerou empregos. Dá esmolas para eventos. E o produto ainda é mais caro aqui do que lá fora. Além do que, ressalte-se que há falta de água no planeta e, no nosso município, isso já é visível por causa de uma Schincariol que nem paga por isso. Parabéns a este advogado, por esta carta de alerta a esta Casa e ao prefeito municipal”.

Na denúncia feita por Frederico Brandão, o mesmo alerta para a necessidade de fiscalização do uso da água no município e propõe a busca do entendimento entre o poder público e a empresa, bem como uma nova pactuação sobre a outorga de uso desse bem público [a água], “por meio de um debate entre autoridades locais e estaduais”.

Por receber tantos benefícios do município, ser isenta de impostos, gerar pouquíssimos empregos e explorar o lençol freático da maneira que satisfaça seus interesses financeiros chamou a atenção do advogado Frederico Brandão e também da classe política.

Para que o assunto não fique apenas num discurso indignado, o vereador Catulé anunciou para a próxima segunda-feira, dia 28, a presença do secretário do meio-ambiente do município, Pedro Marinho, para tratar da exploração do patrimônio hídrico de Caxias e da preservação das demais nascentes dos riachos da cidade.

5 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Interessante que somente agora depois do estrago feito é que as "Otoridades" de Caxias levantam a questão, o impacto ambiental é visível a olho nu e o esgotamento do lençol hídrico da cidade ocorre a passo largo, o estrago que esta empresa fez e esta fazendo no meio ambiente caxiense e de grande relevância a curto e longo prazo e em troca pouco ou nenhum retorno a população, nem seu técnicos moram na cidade, lamentável!!!!. Com a palavra a "otoridades"..

  1. Marcos Antônio disse...:

    Nunca é tarde para se fazer algo ainda mais quando se trata do líquido mais importante do mundo a água.

  1. Ricardo Almeida disse...:

    "...Isenção de impostos durante 30 anos"...

    Caro blogueiro, poderias relembrar aos seus leitores de quem era o comando municipal a época ?

    Caso também não lembre, eu mesmo direi:

    Márcia Regina Serejo Marinho

  1. ronaldodep disse...:

    EM UM MUNDO ONDE O CAPITAL ESTÁ SEMPRE A FRENTE DA NATUREZA, VAI SER IMPOSSÍVEL ESTÁ SITUAÇÃO PASSAR DE UM MERO DEBATE DE ENCHIMENTO DE LINGUIÇA.

  1. Anônimo disse...:

    Não sou de Caxias, moro aqui há 15 anos e enfatizo que além da relevância histórica que a cidade têm. O maior patrimônio do município são seus recursos hidricos, que poucas cidades possuem. Os caxienses devem lutar por este bem que a natureza proporcionou!

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