| PMJ
com boné do prefeito Gleydson Resende e este com o boné do agora aliado; Catulé Júnior de olho nesse troca-troca deve estar preparando o troco |
Assisti a um corte do programa A Verdade, transmitido pela TV Guará e retransmitido pela Rádio Nordeste FM e pelo canal do Sistema Nordeste no YouTube, no qual os apresentadores Beto Ferreira e Dayana Moura analisam as festas de carnaval promovidas pela chamada oposição em Caxias, durante a recente folia de Momo. Confesso que, afora as paixões políticas externadas pelos apresentadores, classifico as análises como precisas, tanto na forma quanto no conteúdo.
De maneira bastante assertiva, Beto Ferreira foi fiel à cronologia dos acontecimentos e à leitura do cenário na seara oposicionista, destacando o isolamento de cada um dos medalhões da oposição neste carnaval. Faço agora alguns comentários e começo por ressaltar o baixo público presente nos eventos promovidos.
A deputada Cláudia Coutinho, que realizou um pré-carnaval nos moldes da década de 1990 em frente ao Excelsior Hotel — local onde o saudoso Humberto Coutinho conseguia reunir milhares de pessoas com apenas um caminhão de som —, foi a primeira a sentir o humor dos caxienses. No material promocional da festa, intitulada Relembrar é Reviver, apelou-se para o slogan “o que era bom a gente repete”, numa tentativa de alusão ao sucesso de outrora, o que, infelizmente, não se confirmou.
Por sua vez, Paulo Marinho Júnior também utilizou o mesmo espaço para tentar associar sua imagem à tradição e ao êxito já vividos naquele local. Por ironia do destino, foi exatamente ali que o deputado Humberto Coutinho enfrentava o poder da Prefeitura, então representado pela família Marinho, para garantir um carnaval alternativo aos foliões. Desta vez, porém, a tentativa não obteve êxito. Nem mesmo registros em vídeo com imagens aéreas conseguiram fazer para transmitir a grandiosidade esperada, em razão do público reduzido, o que acabou expondo a fragilidade do evento. Dias depois, em publicação nas redes sociais, o próprio Marinho Júnior passou a se referir ao Bloco do Paulinho como “bloquinho”, numa tentativa de minimizar a iniciativa, como se se tratasse apenas de uma confraternização informal entre amigos.
Já o deputado Catulé Júnior, embora tenha escolhido a mesma calçada do Excelsior Hotel para realizar sua folia de Momo e tenha reunido um público razoável — ligeiramente superior ao de Cláudia Coutinho e de Paulo Marinho Júnior —, não teve muitos outros motivos para comemorar no carnaval de 2026. O motivo é simples: o evento atribuído a um suposto aliado, Paulo Marinho Júnior, acabou servindo como vitrine para a apresentação de um possível candidato a deputado estadual. Trata-se de Gleydson Resende, atual prefeito de Barão de Grajaú, que deverá se desincompatibilizar do cargo nas próximas semanas para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. O gestor é apadrinhado do governador Carlos Brandão e já vem buscando ampliar agressivamente sua projeção política no Maranhão.
Independentemente dos eventuais ganhos que um ou outro possa buscar neste ano eleitoral de 2026, o fato concreto é que, após a fragmentação evidenciada durante o carnaval no campo oposicionista, o grupo demonstra dificuldade em reeditar a coalizão construída em torno de Paulo Marinho Júnior na última eleição municipal. Os sinais desse desalinhamento ficaram evidentes durante a folia.
Catulé Júnior foi, em 2024, um dos principais articuladores da oposição, assim como já havia sido em 2016, na eleição que consagrou Fábio Gentil como prefeito. Sua capacidade de leitura do cenário eleitoral o levou, ao longo dos anos, a tomar decisões estratégicas em disputas marcadas por forte competitividade.
Um Catulé Júnior ferido de morte por tão grave movimentação de um aliado certamente guardará as marcas desse episódio por muito tempo.
Para que não se faça uma leitura enviesada do momento, vale lembrar que o próprio clã Marinho sempre sustentou que o rompimento com Fábio Gentil teria ocorrido em razão do não cumprimento de acordos e de alegadas traições políticas.
Embora o herdeiro político da família Marinho tenha desfilado ao lado de seu potencial candidato a deputado estadual em Caxias, o primeiro teste nas ruas parece ter revelado que a empolgação popular em torno de seu nome já não é a mesma observada na eleição anterior.
Talvez ele ainda guarde na memória a expressiva votação de 2024, e somente isso, para guiar seus passos. Deve nem lembrar mais que contou com uma coordenação política de excelência para conduzir os rumos daquela campanha.
“Cada um por si” e “salve-se quem puder” parecem ser, por ora, os lemas que melhor traduzem o momento vivido pela oposição caxiense.
Só
não enxerga quem não quer...


