Os trens e a literatura na história de Caxias

23.12.19

Caxias, cidade maranhense cortada pelo Rio Itapecuru é a síntese econômica e cultural do Maranhão e da história do Brasil. Ficou conhecida tanto pela grandeza do que seus filhos fizeram em prol do engrandecimento cultural do país. De Caxias saíram incontáveis poetas, escritores, construtores e políticos.

Não sem motivo, tem o apelido saudosista, ver com seu passado: “Princesa do Sertão”. Foi por lá que foram lançados os primeiros trilhos da Estrada de Ferro São Luís-Teresina. O trecho inicial da via que liga as capitais do Maranhão e do Piauí foi aberto em 1885, bem no começo do Brasil republicano, ligando a princesa do Sertão ao povoado Cajazeiras.

Em 1919, portanto há 100 anos, abriu-se o trecho São Luís-Caximbos, prolongado em 1920 até Caxias. Somente em 1938, os trilhos chegaram a Teresina, com a construção da Ponte sobre o Rio Parnaíba. Os trens de passageiros, que fizeram nascer várias cidades ao longo de seu curso e do Rio Itapecuru, rodaram até 1991, enquanto os cargueiros permanecem resistindo ao tempo e ao desenvolvimento. Portanto, o peso econômico de Caxias fez com que ali se instalasse uma das estações mais bem projetadas de toda aquela rede ferroviária do Maranhão.

Depois de décadas de abandono, o desembargador aposentado, ex-professor e ex-diretor de O Imparcial, Arthur Almada Lima Filho resolveu colocar em prática o que parecia um sonho impossível. Transformar a estação de trens da Princesa do Sertão na sede de o Instituto Histórico e Geográfico de Caxias. Trata-se de uma associação científica e cultural, fundada em 12 de dezembro de 2003, com o pomposo nome de “Casa de César Marques”.

César Augusto Marques (12/12/1826 — 5/12/1900) era médico, professor, escritor, tradutor e historiador. Autor do maior e mais amplo Dicionário da Província do Maranhão, um clássico com várias edições editadas. A finalidade do IHGC é simples, mas de uma vastidão imensurável: promover estudos, pesquisas, debates e, sobretudo, difundir conhecimentos em todas as áreas. Com esse objetivo e princípios devidamente registrados em seu estatuto, o presidente Arthur Almada tornou-se seu provedor e zelador do prédio da estação, hoje depositária de imenso acervo histórico e cultural. (O Imparcial)

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