Poeta caxiense reconhecido internacionalmente é homenageado com biblioteca que leva seu nome no povoado Nazaré do Bruno

29.5.17
Nascido no povoado Canabrava das Moças, zona rural de Caxias, o poeta, jornalista e compositor Salgado Maranhão, radicado há 40 anos no Rio de Janeiro, voltou a sua terra natal nesta sexta-feira, 26, para receber uma das mais belas homenagens que um intelectual pode ter: uma biblioteca com o seu nome no povoado Nazaré do Bruno.

O local, o maior povoado de Caxias, não poderia ser mais simbólico para a homenagem, uma vez que Salgado Maranhão nasceu num povoado do município.

Várias autoridades caxienses fizeram-se presente ao evento, destacando-se o presidente da Câmara Municipal, Catulé; secretário de Cultura, Artur Quirino; secretário Executivo do município, Washington Torres; poetas Carvalho Júnior e Wibson Carvalho e o secretário adjunto de Administração, Aluizio Bittencourt.

Definido numa entrevista concedida ao jornal O Globo, como o “encantador de palavras”, Salgado Maranhão, tem sua obra reconhecida internacionalmente, onde percorreu vários países nos últimos anos apresentando sua obra e está lançando agora um livro que será traduzido para o japonês e que também foi lançado no povoado na última sexta-feira.

Compositor de mais de 50 músicas, o caxiense já teve canções interpretadas por Zizi Possi, Elba Ramalho, Ney Matogrosso e Ivan Lins.

Foi com esse currículo intelectual admirável que ele foi recebido no III Festival Literário realizado no Nazaré do Bruno para receber a homenagem de uma biblioteca com o seu nome.

O vereador Catulé, saudando o ilustre homenageado, falou da importância histórica da sua presença no povoado. “Quantos locais por ai, que sabem o que é um escritor, que sabem o que é que faz um poeta de renome gostaria de tê-lo na sua escola e na sua cidade fazendo conferência ou pelo menos fazendo uma visita. O poeta faz com que a gente se sinta e vá a tantos e tantos locais que nunca conhecemos, que apenas passam nos nossos sonhos e na nossa mente”, disse Catulé que não escondia a satisfação diante da presença de renomada figura.

Falando da trajetória de vida do poeta, que mesmo já tendo obtido projeção internacional, o vereador destacou o fato dele continuar um homem simples. “É uma prova de que é um homem simples, que sabe prestigiar a quem lhe convida, como é o caso desse povoado”. O presidente da Câmara disse ainda que ficava feliz em saber que o convite ao poeta não havia partido da classe política. “Fiquei mais feliz ainda porque essa atitude não partiu da classe política, não partiu do vereador Catulé, partiu dos professores dessa escola, e se partiu dos professores é porque eles são compromissados com a história e sobretudo com a educação”.
 
Depois de recitar um dos seus belos poemas, o poeta usou seu discurso para falar das suas raízes na zona rural de Caxias e também de como ainda hoje cultiva os hábitos simples que aprendeu com seus pais.

“Eu tenho o maior orgulho de ser do Maranhão. Adoro o Rio de Janeiro, moro lá há 40 anos, sou super bem tratado no Piauí, onde me amam e eu gosto daquela terra, eu amo aquela terra, eu amo os piauienses, mas eu queria ter nascido onde nasci, na Cana Brava das Moças, na mistura de negros com índios e brancos, meu pai era branco. Aquele povo, em que aquela casa farta e que a comida era para todo mundo, era pra quem chegasse”, lembrou ele acrescentando que continua a cultivar esses valores: “Então, essa coisa comunitária e afetiva eu não perdi, eu não perderei. Quando mais sucesso tenha a minha obra, quem faz o show é a minha obra. Eu sou a pessoa mais comum do mundo, eu faço questão de estar mais perto das pessoas porque eu gosto de gostar, eu gosto das pessoas, eu quero bem, eu quero abraçar as pessoas”, finalizou antes de fazer a inauguração oficial da biblioteca Salgado Maranhão.

Após a inauguração, o poeta disse que iria viabilizar mais livros para o acervo da biblioteca. “Irei buscar junto a Academia Brasileira de Letras livros para serem doados”, prometeu.

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