LAÇOS DE FAMÍLIA - Partido que tentou tumultuar pesquisa que poderia beneficiar Adelmo é presidido por um irmão do próprio

24.7.20
É comum se ouvir falar de “fogo amigo” na política, que é quando os próprios aliados conspiram uns contra os outros na tentativa de conseguir mais espaço (leia-se benefícios) no grupo onde militam. Mas em Caxias esse “fogo amigo” acaba de ganhar outro significado, pois o ato de tentar prejudicar um correligionário partiu da família do mesmo.

No estranho episódio de tentar ter acesso a pesquisa Escutec que poderia beneficiar o candidato do PC do B para prefeito de Caxias antes mesmo da sua publicação, inclusive com a identificação dos entrevistadores, o presidente da agremiação política (PROS) que acionou a Justiça Eleitoral é um irmão do pré-candidato a prefeito Adelmo Soares, o odontólogo Alberto de Andrade Soares.

O benefício para o candidato pecebista nessa nova pesquisa se daria a partir de um entendimento do próprio advogado do PROS, que sustentou em questionamento da primeira pesquisa que o fato do nome de Adelmo não estar apresentado no questionário oferecido aos entrevistados obedecendo a ordem alfabética, poderia lhe trazer prejuízo.

Na primeira incursão na Justiça Eleitoral o PROS até chegou a obter êxito, mas a decisão favorável não chegou a ser cumprida devido ao tempo exíguo entre o cumprimento da decisão judicial e a impressão da edição do jornal O Estado do Maranhão, contratante da pesquisa Escutec e que a veiculou no domingo.

Em nova pesquisa Escutec, onde o próprio instituto é o contratante da mesma, fez-se exatamente o que o Partido Republicano da Ordem Social – PROS, pleiteava na contestação judicial da sondagem anterior.

As novas alegações do advogado contratado pelo irmão de Adelmo Soares, o mesmo que peticionou contra a primeira pesquisa, deixaram vários advogados perplexos diante dos argumentos. “... serve a presente tutela de urgência preparatória para requerer o pleno acesso ao sistema de controle interno da pesquisa ora registrada, inclusive com os registros de datas e localização via gps das entrevistas”, pede o advogado do PROS, o ex-procurador do município de Caxias, James Lobo.

A magistrada que julgou a Ação foi didática ao proferir sua decisão, onde explica até mesmo qual o procedimento cabível no caso. “Como se verifica o meio procedimental adequado para o acesso aos dados referentes a uma investigação de opinião eleitoral dá-se através de mero requerimento, sem que haja a necessidade de ajuizamento de Representação Eleitoral e menos ainda, pedido de concessão de tutela de urgência”, ensina ela que faz ainda outra observação relevante: “Ademais, o partido Representante só poderia alegar fraude e repetição na pesquisa após ter acesso aos dados definitivos do levantamento, oportunidade em que teria verdadeiras condições de comparar dados e resultados e poder concluir que houve manipulação ou irregularidades de outra ordem”, diz a Juíza da 4ª Zona Eleitoral de Caxias, Marcela Santana Lobo em outro trecho da sua sentença.

Todos em Caxias sabem a forma como a família de Adelmo Soares é unida e trabalha em torno dos mandatos conquistados por ele desde que o mesmo ascendeu na política, o que até já rendeu um ‘carinhoso’ adjetivo quando a classe política no município se refere ao clã.

Não quero crer que haja algum tipo de conflito de interesses na família do candidato do PC do B a prefeito de Caxias.

Aposto que o presidente do PROS, que é irmão de Adelmo, foi induzido ao erro na avaliação de tentar colher alguma intempérie jurídica em relação a nova pesquisa Escutec, que tem o mano como primeira opção nos diversos cenários pesquisados, o que pode lhe ser bastante favorável.

Mas eles são cristãos.

Precisam renovar a fé.

E também os argumentos jurídicos...

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