Artigo - Bons engenhos e homens de brilho próprio

23.4.18

Por Wybson Carvalho

Aparelhamentos humano-culturais caxienses

Há muito tempo, o caxiense mais, genuinamente, ilustre desta terra, Caxias, de palmeiras e sabiá: Gonçalves Dias, analisando o cunho produtivo nas linguagens artístico-humano-culturais, obteve a seguinte convicção:
"É, pois, para todos os brasileiros, mas cabe mais, particularmente, aos filhos desta terra pugnar pelas suas glórias. Caxias, que tão dignamente figura na República das Letras, deve dar o exemplo de como se estimar os bons engenhos, de como zelar a fama própria, de como se respeitam esses grandes vultos que são o Panteon da Posteridade"... Antônio Gonçalves Dias.

E, assim, muito tempo depois, outros filhos desta Caxias, com o convencionado perfil acima descrito, criam aparelhamentos preenchidos com homens de brilho próprio para o desenvolvimento cultural de seus conterrâneos, tais como: Centro de Cultura Acadêmico José Sarney, Escola Municipal de Música Josino Frazão, Biblioteca Pública Municipal Odylo Costa, filho, Academia Caxiense de Letras (ACL), Memorial da Balaiada, Instituto Geográfico de Caxias, e Academia Ateniense de Letras, Educação e Artes do Leste Maranhense.

Centro de Cultura, um bem secular caxiense

No passado, a antiga Companhia da União Têxtil Caxiense e, no presente, o Centro de Cultura Acadêmico José Sarney. São estas as fases cronológicas de um prédio localizado à aresta direita da Praça Dias Carneiro - Panteon Caxiense -. Na realidade, uma construção fabril de origem inglesa com fachada em estilo neoclássico, planta quadrangular, cobertura em estrutura metálica e estreita área livre, onde se localiza uma imponente chaminé.

A antiga Companhia da União Têxtil Caxiense, foi fundada em 1889, pelos sócios Antônio Joaquim Ferreira Guimarães, Dr. Francisco Dias Carneiro e Manoel Correia Baima de Lago, sob a denominação de "Companhia Manufatora Gonçalves Dias S. A". Com um capital inicial de 850 contos, esta empresa foi uma potência no gênero da produção de tecidos, em sua época. Seu motor de 400 cavalos movimentava 220 teares, pondo 350 pessoas em atividade. Sua produção anual era de um milhão de metros de tecidos crus, em grade parte exportada para os países europeus. Falar desta extinta Companhia, que fora assentada numa região na qual a cultura algodoeira era abundante, é voltar ao período áureo de desenvolvimento da indústria têxtil no Maranhão, cujo parque fabril compunha-se de 17 empresas, contando com 2.336 teares, 71.608 fusos, e que atingia uma produção anual de 13.974.411 metros de tecidos crus e uma capacidade de empregar 3.557 operários.

A atividade têxtil teve seu apogeu na época da II Guerra Mundial, quando os Estados Unidos, também, passaram a importar produtos brasileiros. Com o fim da guerra, muitas empresas entraram em decadência motivada pela volta do livre comércio e, sobretudo, pelo rápido desenvolvimento industrial que os empresários maranhenses do gênero não conseguiram acompanhar.

Assim, das 17 empresas, que integravam o parque fabril maranhense, apenas 8 conseguiram resistir até a década de 60. A Companhia da União Têxtil Caxiense foi extinta em 1954 e, ao longo de um tempo, precisamente, até 1985, o prédio sofreu um forte processo de abandono. Porém, em 1986, com uma ajuda substancial, através de verba federal, o Governo Municipal, naquela época, restaurou o velho prédio alvirrubro e transformou-o em um Centro Cultural com denominação de Centro de Cultura Acadêmico José Sarney. Atualmente, o prédio abriga inúmeros secretarias e órgãos da administração pública municipal, dentre os quais: Posto de Identificação do Município, Setor de Tributação e Arrecadação Municipal, Escola de Música Santa Cecília e as secretarias municipais de Educação, Cultura, Trabalho, e, ainda, uma Unidade Estadual de Ensino do Maranhão (IEMA).

Escola de música Josina Frazão

Escola Municipal de Música "Jozino Frazão", organismo cultural da Administração Pública Municipal, na área da Cultura, criado na década de 70, pelo então prefeito, Tem. Aluízio de Abreu Lobo. Inicialmente, teve localização, na Travessa Alfredo Beleza, s/n, centro, e, posteriormente, em uma das dependências do Centro de Cultura Acadêmico José Sarney.

A Escola de Música Josino Frazão oferece cursos com iniciação musical de musicalidade infantil, flauta doce, instrumentos de sopro, teclado prático, violão prático, acordeon prático regional, bateria e fanfarra. Atende com um corpo docente de 30 professores e um corpo discente compreendido entre 10 funcionários e 300 alunos. Mantém uma Banda de Música "A Lira Municipal", criada, também, no mesmo período de criação da Escola e executa tocatas em eventos oficiais do Governo Municipal, nas atividades educativas e culturais da cidade.

Nos anos que se seguiram, a oferta de cursos foi ampliada, abrangendo áreas de música popular, percussão e música contemporânea. Em conseqüência, surgiram inúmeros grupos musicais desenvolvendo trabalhos tanto no campo da música erudita como também no campo da instrumentalização popular.

Atualmente, por determinação do governo municipal, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo formulou e está articulando, junto ao MINC e, ainda, com emenda parlamentar federal, um projeto para reestruturação do espaço físico, mobiliário, instrumental e de toda a sua grade curricular, objetivando a formação profissional de músicos caxienses.

A Escola Municipal de Música Jozino Frazão, é a única instituição educativa musical do interior do Maranhão que vem contribuindo, veementemente, na formação musical de instrumentistas demandados pelo mercado de trabalho local, regional e nacional, ofertando cursos técnicos e cursos básicos de qualificação profissional em modalidades instrumentais e vocais (eruditas e populares).

Biblioteca Pública Municipal Odylio Costa, Filho

Um aparelhamento educativo e cultural da Administração Pública Municipal criado através de Lei Municipal, em 1966. Inicialmente, teve sua localização à Rua Aarão Reis, s/n, centro, e, posteriormente, em uma das dependências do Centro de Cultura da cidade.

Com um acervo de seis mil exemplares nos cunhos: técnico, didático, literário recebia, mensalmente, um público de mil e oitocentas pessoas, que para lá acorria em busca de ampliar seus conhecimentos sob o procedimento de pesquisas e trabalhos extra-classe. Na maioria, estudantes das Unidades Escolares das Redes de Ensino Público e Particular.

Porém, em agosto de 1998, em face à implantação, na cidade de Caxias, da Biblioteca "Farol da Educação", e, após um acordo entre as pastas das pastas municipais de governo da Educação e Cultura, o acervo da antiga Biblioteca foi distribuído entre algumas Unidades Escolares da Rede Pública Municipal de Ensino, consideradas Pólo, e, ainda, para a Biblioteca "Farol da Educação".

Mas, em 2008, por determinação e empenho do Governo Municipal, através de um projeto elaborado pela equipe da Secretaria Municipal de Cultura, e enviado ao Ministério da Cultura (MINC), houve, após aprovação, uma revitalização e modernização Biblioteca Pública Municipal "Odylo Costa, Filho.".

A nova Biblioteca Pública Municipal "Odylo Costa, filho", foi contemplada no Programa Livro Aberto da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), com bens que formam um kit compreendendo: computadores, televisão, aparelho de som, circuladores de ar, vasto acervo de livros, estantes de aço para acomodação dos livros, mesas e cadeiras para os leitores, cadeira giratória.

Com uma incansável dedicação à leitura e ao livro, a secretária municipal de Cultura, Profª. Valquíria Araújo, solicitou em sua gestão, recebeu, ainda, para a nova Biblioteca Pública Municipal "Odylo Costa, filho", uma substancial ajuda do Governo Municipal, em utensílios que possibilitam uma ótima comodidade a quem a ela freqüenta.

E, neste dia de 26 de junho de 2009, a revitalizada e moderna Biblioteca Pública Municipal "Odylo Costa, filho." é entregue à comunidade caxiense, nesta sexta-feira, 26.

Quem foi Odylo Costa, Filho

Odylo Costa, Filho. Jornalista, cronista, novelista e poeta, nasceu em São Luís- MA, em 14 de dezembro de 1914, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de agosto de 1979. Eleito em 20 de novembro de 1969 para a Cadeira n. 15, da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Guilherme de Almeida, foi recebido em 24 de julho de 1970 pelo acadêmico Peregrino Júnior.

Academia Caxiense de Letras

Caxias do Maranhão é uma cidade que, ainda hoje, serve de referência para o país quando o assunto é a Literatura - por ser o berço de uma considerável quantidade de poetas e escritores de grande expressão no Brasil, a exemplo de Gonçalves Dias, Coelho Neto, Raimundo Teixeira Mendes, Teófilo Dias, César Marques e muitos outros de uma constelação de literatos que brilha desde meados do século XIX e dois dos quais são patronos de cadeiras na Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras. Mas, Caxias, ainda, nestes primeiros anos de um novo milênio, insiste em dar luz a novos escritores e poetas e pode ser chamada, sem exageros de "cidade dos escritores e poetas", dentre os quais: Déo Silva, Cid Teixeira de Abreu, Libânio da Costa Lobo, Jacques Inandy Medeiros, Salgado Maranhão, Firmino Freitas, Antônio Augusto Ribeiro Brandão, Frederico Brandão, José Ribeiro Brandão, Antônio Pedro Carneiro, Renato Meneses, Inês Maciel, José de Ribamar Cardoso, Naldson Carvalho, Silvana Meneses, Adailton Medeiros, Wybson Carvalho, e outros tantos...

A Academia Caxiense de Letras (ACL), fundada em 15 de agosto de 1997, com sede à Rua 1º de Agosto, 737, nesta cidade de Caxias do Maranhão, tem 40 membros efetivos e realiza atividades em cunhos educacional e cultural, para o alunado da rede municipal de ensino, a fim de fomentar uma conscientização escolar sobre a maior característica da personalidade histórico-literária do povo desta terra de escritores e poetas.

A Academia Caxiense de Letras, além de editar, publicar e fazer lançamentos das obras de seus membros e outros, profere também palestras sobre biografias e bibliografias de escritores e poetas caxienses nas Unidades Escolares das Redes municipal, estadual e particular de ensino As palestras são proferidas por membros acadêmicos da Casa de Coelho Neto.

A Academia Caxiense de Letras, recebe, anualmente, em sua sede mais de dez mil estudantes que para lá acorrem em busca de conhecimentos. Para o público freqüentador da Casa de Coelho Neto, há um cine clube com exibição de películas à arte e, ainda, realiza uma exposição de artes denominada: EXPOARTE; evento que congrega todas as manifestações e linguagens artístico-culturais da cidade e, ainda, um Festival de Poesia com a participação de alunos das Unidades Escolares locais.

Memorial da Balaiada

A cidade de Caxias, localizada no leste maranhense, distante da capital a 360 Km, tem, hoje, a realidade histórica de maior bravura do povo caxiense retratada em uma obra com cunho cultural e, conseqüentemente, de um profícuo apoio do Ministério da Cultura e, ainda, de modo indubitável, do Banco da Amazônia S/A - via Lei Rouanet: o Memorial da Balaiada.

A obra, iniciada, em 1997, com a prospecção arqueológica, no sítio do Quartel, Morro do Alecrim, que abrigou as tropas da Guarda Nacional e do Exército Brasileiro durante a maior revolução social, ocorrida em terras maranhenses - a Balaiada - secundou, em 2004, com as instalações de um Museu Escola, um Centro de Documentação e um Laboratório de restauração em documentos antigos e uma Biblioteca específica em assuntos de História do Maranhão, visando organizar e preservar a memória escrita e oral de Caxias, a fim de, também, estimular a cidadania, fortalecer a auto-estima e garantir a identidade dos caxienses.

Como Museu-escola, atende a comunidade estudantil dos ensinos público e particular, em níveis: fundamental, médio e superior, mantendo uma exposição museológica permanente que fala direta e(ou) indiretamente sobre a Balaiada (1838-1841) e seus personagens, principalmente, sob o olhar dos vencidos (excluídos).

O prédio apresenta sala para exposição permanente de um acervo eclético, mas de caráter histórico, com mobiliário de época, armaria, numismática e material arqueológico encontrado durante prospecção realizada nas Ruínas do Quartel da Balaiada, em 1997.

Dispõe de um Auditório, com capacidade para 60 pessoas, onde são realizadas palestras, debates, seminários, cursos e, ainda, de um Centro de Documentação, que é o local para a guarda dos documentos encontrados em Caxias, tais como: contratos, escrituras, testamentos, cartas de liberdade de escravos, entre outros, dos séculos XVIII e XIX. O Memorial da Balaiada, mantém um Site de pesquisa e divulgação (www.memorialdabalaiada.com.br) sobre o acervo, a história e sua finalidade. Até final de 2005, estima-se que mais de 10 mil pessoas tenham visitado o Memorial da Balaiada. Para este ano de 2006, há projetos que serão lançados, precisamente, em fevereiro, tais como: "Documentos da Nossa História"; um livro que mergulha no registro de documentos inéditos em número de 85 preciosidades que desmente a tão custosa tese de que os balaios, ao invadirem Caxias, extraviam sua memória, e um Documentário acerca do Memorial, que poderá ser exibido em CD ROM e DVD.

Instituto Histórico e Geográfico de Caxias

O Instituto Histórico e Geográfico de Caxias foi fundado, em 12 de dezembro de 2003, com o objetivo de ser um órgão a preservar a história e geografia da cidade. O instituto adota a denominação de "Casa de CÉSAR MARQUES", em homenagem ao ilustre médico e historiador caxiense.

É uma pessoa jurídica de direito privado regulado pela legislação civil, sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial, formada por número limitado de associados.

O IHGC zela pelo patrimônio histórico e geográfico de Caxias, portanto, é reconhecido de Utilidade Pública por lei Municipal e Estadual, e, hoje, situa-se em um prédio histórico da antiga Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA), na Av. Getúlio Vargas, nº 951, Centro, Caxias-MA.

Abriga um valioso acervo documental-histórico sobre a Cidade de Caxias, na sua Biblioteca Maria das Mercês Silva Lima, além de obras importantes sobre a História e Geografia do Maranhão representativos da memória coletiva.
Hoje, este espaço é referência de pesquisas por parte de estudantes de Ensino Fundamental, Médio, Superior, e da comunidade em geral; não se restringindo apenas à população local, atingindo também estudantes de outras cidades maranhenses e, ainda, de outros Estados, como que é o caso do Piauí.

Possui uma Biblioteca, denominada Maria das Mercês da Silva Lima, que homenageia a ilustre caxiense, professora, pesquisadora, historiadora e confreira do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, possui um acervo com mais de 3.000 (três mil) livros, distribuídos em coleções, enciclopédias, biografias, livros de história geral, história do Brasil, do Maranhão, de Caxias, de outros Estados e cidades, livros raros, livros de literatura e romance, de poesias, religiosos, didáticos e de variados assuntos; revistas da década de 40, percorrendo os idos até a atualidade, além de jornais que marcaram época no Brasil e cadernos de colagens da professora Miroca.

Outra valiosa guarda e um maravilhoso estoque de monografias, livros didáticos e de literatura, pertencentes à biblioteca pessoal da ilustre e saudosa confreira do Instituto, professora Maria do Carmo Bezerra Paiva, doados pela família, para compor esta vitrine cultural.

Academia Sertaneja de Letras, Educação e Artes do Sertão Maranhense

Congregação de intelectuais com a dimensão de três estrelas: literatura, educação e arte; resgatando a memória de homens e mulheres para a imortalidade da cultura caxiense. Sua cátedra é oferecida ao idealizador do Lema do Positivismo, eternizado na Bandeira Nacional Brasileira, o filósofo Teixeira Mendes.

Por congregar membros que se doam sob seus exercícios profissionais, em benefício da cidade de Caxias e de seu cunho cultural, a Academia Atheniense de Letras, Educação e Artes do Sertão Maranhenses; o mais caçula aparelhamento cultural caxiense tem, por ideal de todos os seus membros, a função social de dar continuidade ao amor cívico pautado em um ente tríplice: a cidade, a pátria e a humanidade, conseqüentemente, primando pela melhoria do bem-estar e da satisfação cultural do homem caxiense a fim de torná-lo partícipe eficiente ao conhecimento como base, à criação como produção cultural, ao amor como alimento, e, ainda, à vida como imprescindível fim.

Wybson Carvalho, poeta caxiense e imortal da Academia Caxiense de Letras

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