CAXIAS SOFRE - Fim de convênios do governo do MA na área da saúde é debatido na Câmara e governador Flávio Dino sofre duras críticas

21.3.17
Governador Flávio Dino mostra-se insensível com
o sofrimento dos caxienses
O fim dos convênios do governo do MA com o município de Caxias na área da saúde dominou os debates na sessão desta segunda-feira, 20, na Câmara Municipal.

O vereador Durval Júnior usou a tribuna para fazer um duro discurso lembrando da época que também discursava contra o fim de convênios na saúde no governo da então governadora Roseana Sarney. “Antigamente, aqui nessa tribuna, quantas e quantas vezes eu vim falar da Roseana Sarney por tal fato [fim dos convênios]?!”, iniciou Durval asseverando que não iria se calar agora. “Mas eu não vou me calar de forma alguma, porque o sujeito é governador do Maranhão eu vou jogar os erros dele pra debaixo do tapete. Agora, nós vamos ter a obrigação, a moral e a decência de resolver esse problema, porque a questão é política, mas quem tá pagando a conta é povo de caxiense”.

Fim do convênio com a Maternidade Carmosina Coutinho é inaceitável

“Como pode, em plena crise, uma maternidade que é macro regional, um governador tirar R$ 1.350.000,00 (hum milhão e trezentos e cinquenta mil reais) sem dar nenhuma satisfação pro povo caxiense?! Um governador que nasceu politicamente em Caxias, mas que não tá respeitando a população”, registrou Durval Júnior.

Neto do Sindicato

Pedindo um aparte ao colega, o vereador Neto do Sindicato elevou o tom das críticas por conta do fim dos convênios na área da saúde lembrando, inclusive, das facilidades em conseguir a realização de cirurgias no Hospital macroregional do Estado em 2016, e que desde a posse de Fábio Gentil, é praticamente impossível qualquer facilidade naquela unidade de saúde. “Eu tenho andado em busca de resolver o problema de uma cirurgia que no ano passado era muito fácil pra mim resolver e agora é muito difícil”, lembrou Neto ressaltando que, por fazer parte da  base do prefeito Fábio Gentil, estaria tendo dificuldades no acesso ao Macro e os pacientes não podem pagar por isso. “As pessoas não deixaram de ser caxienses. Essa senhora [que ele tenta marcar uma cirurgia no Hospital Macro Regional] não deixou de ter o direito de ser atendida pelo SUS”, protestou o parlamentar que estendeu suas criticas. “Nesse momento, um momento de saúde pública, o que a gente tem que fazer é deixar diferenças políticas de lado. Não dá para nós ficarmos assistindo aqui, a bel prazer, a briga do governador, a briga do prefeito, porque o prefeito não é bonito que o governador não vai mandar o dinheiro pra cumprir as necessidades básicas da saúde do nosso município. Então, essa briga entre poderes, atinge lá na ponta quem não tem dinheiro, quem não tem o plano de saúde, quem precisa do SUS pra fazer uma cirurgia. E essa Casa aqui tem responsabilidade, seja de situação, seja de oposição, porque não adianta se o governador não gosta do prefeito ou se o prefeito não gosta do governador, ai quem não tem dinheiro pra fazer um plano de saúde, vai morrer? O que é isso? Essa Casa tem obrigação, se for o caso, convocar uma audiência pública pra cá, chamar secretário de Saúde, chamar a população, pra dizer pra população o que tá acontecendo. Se é o governador que tá errado, tem que ser dito que é o governador que tá errado. Se é o prefeito que tá errado, tem que ser dito que é o prefeito que tá errado. Agora o cidadão, que tem direito a saúde, vai morrer porque a diferença que é porque não é do lado do prefeito, que não é do lado do governador?! Paciência!!!”, chateou-se o vereador do PC do B.

Repórter Puliça

Foi tão contundente o discurso de Durval Júnior, que vários vereadores engrossaram o coro das criticas contra a retaliação que Caxias está passando por parte do governo Flávio Dino. O vereador Repórter Puliça, tão conhecido pelo senso de humor utilizado nas suas intervenções no parlamento, deixou de lado a brincadeira e fez uma paralelo entre a dificuldade encontrada por pacientes de Caxias, que tentam dar entrada no Hospital Macroregional, e a facilidade daqueles oriundos de Matões. “Hoje eu soube que Matões tá fazendo é fila. Os doentes de Matões vindo pro Macro Regional. Os que vem de lá pra cá, se tiver uma unha ferida, opera na mesma hora. E aqui em Caxias é essa peregrinação do povo correndo atrás de vereador, atrás de prefeito por uma vaga”, revelou o Repórter Puliça ressaltando que os parentes dos doentes de Caxias, que tentam uma vaga no Macro, constatam a existência de vagas naquela unidade de saúde. “O próprio pai do paciente, ou a mãe, comprovam que existe vaga no macro e lá eles falam que não tem, mas quando chega alguém lá de Matões, é na mesma hora”.

“O governador Flávio Dino é hoje governador graças ao povo de Caxias, porque ele começou por aqui. Eu lembro como se fosse hoje, ele começou em Caxias. O povo de Caxias foi quem aprovou ele e votou nele. Esse desgosto pelo menos eu não tenho, eu nunca votei nele. Parece que eu estava adivinhando”, lamentou.

“E eu chamo, situação e oposição, para na hora que formos tratar dessa questão da audiência pública, a favor do povo de Caxias, para que nós esqueçamos a briga política e pensemos no bem estar do nosso povo”, finalizou Durval Júnior.

Catulé diz que Caxias está sem representatividade política: “hoje somos zero”

Fazendo um resgate da história da saúde pública de Caxias e da importância que a cidade possuía no âmbito politico estadual, o presidente da Câmara Municipal, vereador Catulé, lembrou das conquistas da saúde quando existiam  3 importantes hospitais, numa época que houve até transplante de rim, realizado na Casa de Saúde, e quando a cidade possuía representatividade politica com “4 deputados estaduais, 2 federais e 2 senadores”. Catulé lamentou que nos últimos anos, pela falta de liderança política, a cidade perdeu importância regional e deixou de ter Delegacia da Receita Estadual e do Trabalho, que hoje funcionam em Timon e em Codó.

“Hoje nós somos zero. Estamos perdendo tudo. Perdemos o IML, que foi feito pelo Dr. Marcelo. Se você tiver um problema na Receita Federal, que aqui era uma Delegacia Federal, hoje é posto. Se você cair na malha fina tem que se arrancar pra São Luís. Ministério do Trabalho que nós temos aqui, é posto. Pra tirar uma carteira de trabalho, um dissidio coletivo, é pior, tem que ir pra uma cidade menor do que aqui, Codó. Até a Receita Estadual, que desde que eu me entendo por gente é uma regional, hoje é posto subordinado a Timon. Hoje, já somos quintal de Timon”, lembrou Catulé enfatizando que essa diminuição da importância política da princesa do sertão se dá pela falta de agentes políticos com representatividade. “Por que isso? Porque nós estamos fracos de representação política. Fraco de representação política”, repetiu o presidente que continuou: “Se nós estivéssemos fortes na representação política, nós não estaríamos passando essa condição na saúde. Nós tínhamos até o mês de dezembro, e quem tem celular, computador observa isso, dinheiro suficiente pra manter a saúde. A partir do dia 1º [de janeiro] nós não tivemos mais. O prefeito só conseguiu pagar esses 2 meses da saúde por que a justiça federal bloqueou o dinheiro da repatriação, que era R$ 5 milhões, e acabou o dinheiro. E aí? Quem é que paga essa conta? A classe política e é necessário que o povo saiba a quem cobrar”, encerrou Catulé.

3 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Coro Sabá só para enfatizar que Caxias é Gestão Plena e recebe recursos para manter os Hospitais em funcionamento. O que se ver e que o Hospital Geral está fechado. Hoje todas as Cirurgias de urgência e emergência, ortopédicas é especialidades estão sendo realizadas no Hospital Regional. O Hospital Geral tem recursos próprios para manter até a Urgência aberta com portaria ministerial, mais está com a urgência fechada. O Hospital Regional está fazendo sua parte, cabe ao Município fazer a perde dele. Os Vereadores tem que cobra para a Secretária de Saúde o Funcionamento do Hospital Geral.

  1. Anônimo disse...:

    O governador FD só atendia os anseios dos Coutinhos, quando estes mandavam em Caxias.Como perderam,a retaliação veio na forma mais covarde que é o corte de verbas pra saúde.Hoje , só se consegue internação e cirurgia no hospital macrorregional quem é amigo ou puxasaco dos Coutinhos.

  1. Rai Maranhão disse...:

    A realidade de caxias é apenas mais um quadro da degradação e de abandono que se encontra o Maranhão

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