Um sambinha para a ingratidão

19.4.18

Por Edson Vidigal
 
Em seu famoso Programa de auditório, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Ari Barroso, segundo a piada de José Vasconcelos, não tinha ideia do calouro que apresentaria em seguida.

Um senhor chamado Chiado. O senhor é rubro-negro ou tricolor? Não, senhor. Sou carioca.

Flamenguista roxo, o dono do programa, em suas transmissões desportivas sabia mandar a imparcialidade às favas e quando o fluminense ameaçava um gol, ainda assim distorcia a narrativa e pressentindo o gol contra o mengo, contrariado dizia aos ouvintes – e eu não quero nem olhar...

Mas ali no palco do Programa Ari Barroso estava um novo e diferente calouro, o seu Chiado. Qual musica o senhor vai cantar? Vou cantar um sambinha. Curioso, Ari quis saber. E qual o sambinha que o senhor vai cantar?

A resposta saiu certeira disparando a hipertensão do festejado compositor, dono do Programa e Vereador no então Distrito Federal. Quarela do Brasil. Enfático, muito enfático, Ari quis saber. Ô seu Chiado, o senhor sabe quem é o autor da Aquarela do Brasil? Sei, não.

Fora do ritmo, distante da melodia, seu Chiado começou a cantar – Brasil, meu Brasil brasileiro, vou cantar-se nos meus veulsos... Mais que de repente a mão direita de Ari bateu no microfone, interrompendo o calouro. O senhor vá cantar nos seus veulsos, mas nos meus versos o senhor não vai cantar, não.

Da estória do Vasconcelos sobre a Aquarela do Brasil, segundo o calouro seu Chiado, restaram o qualificativo sambinha e os veulsos, imperdoáveis ofensas ao talento do Ari.

Esta semana, o Deputado José Reinaldo, recém - ingresso no PSDB para ser um dos candidatos ao Senado pelo Maranhão publicou um artigo no qual transcreve trechos do discurso do novo Governador de São Paulo, Márcio França, do PSB, dando realce ao tema da gratidão na politica.

O futuro candidato a Senador na chapa do Deputado Roberto Rocha, candidato a Governador, registra o discurso do novo chefe do executivo paulista como um uma das páginas mais bonitas e animadoras da nossa vida politica, “principalmente – destaca – neste momento em que se cultiva uma politica do “nos contra eles”, da perseguição política, do quem não está comigo é inimigo (...) justo neste momento em que alguns cristãos novos bradam que em politica não existe gratidão como se a politica estivesse apartada de toda a relação sem gratidão ou de sentimentos nobres na politica como a lealdade, como se fossemos robôs sem sentimento nenhum pelo próximo, apenas cultivando o ódio a quem nos é contrário”.

“Ah, a lealdade essa velha e certeira senhora. Não tem dia e nem tem hora que eu te esqueça. Nem que o mundo acabe ou que eu desapareça... Lá vai você comigo, minha querida companheira.

Não sei se nasceu em mim, ou se meus pais me impregnaram. Só sei que me acompanha resistente pela vida inteira e me abriu caminhos decisivos, que só por ti passaram.

Ah, a lealdade! Condutora segura do meu destino, presente em mim, desde menino, orientou meus passos e minha conduta.

Assim, sempre, fui leal a Deus, sobre todas as coisas, pois sei que ao final, não seria em vão a minha luta.”

Não é bom mote para um sambinha? Diga lá, seu Chiado.

(Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal)

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