Senador Roberto Rocha pontua avanços, mas critica aspectos do Plano
Logístico do Governo.
A
PRESIDENTE DILMA ANUNCIOU O NOVO PLANO DE CONCESSÕES, SINALIZANDO UMA VIRADA DE
PÁGINA DO GOVERNO. QUAL A SUA VISÃO SOBRE O NOVO PACOTE?
A melhor virada não é a de página, é a de
mentalidade. Não há dúvida de que do ponto de vista administrativo esse é o
caminho que o país tem que seguir, apostando na emulação entre as forças
produtivas e o Governo. O problema é que demorou demais, por conta de uma
interdição ideológica que puniu o país e a sociedade. Nesse sentido, com todos
os problemas que possa ter o novo plano, e são muitos, devemos comemorar a
mudança conceitual que eu espero tenha vindo para ficar.
E
QUAIS SÃO OS MAIORES PROBLEMAS?
Em primeiro lugar, por coerência, deveria ter
sido prestado conta do ultimo plano, de
2012, que prometeu 133 bilhões de
investimentos, sendo 99 em ferrovias, além da compra pela Valec de toda a
oferta de transporte ferroviário. Nada disso foi feito. O Governo chegou a
criar uma estatal, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), para
planejar os transportes de forma integrada no país. Essa empresa descarrilou e
tudo isso contribui hoje para o déficit de credibilidade do Governo, que ainda
é o maior entrave para o engajamento do setor produtivo.
COMO
O GOVERNO PODERÁ SUPERAR ESSAS DESCONFIANÇAS?
Do ponto de vista político o governo Dilma é
um poço de contradição e o PT é outro. O Plano é o triunfo da adoção de modelos
e ideias que o próprio Governo criticou. O mais importante é saber até que
ponto o governo Dilma está mesmo disposto a mudar a postura desastrosa em
relação a investimentos que arruinou o PAC e levou ao emperramento do programa
anterior de concessões. Infelizmente o governo Dilma tratou o setor privado
interessado na prestação de serviços públicos como predador de recursos
nacionais, como se estivesse em condições de impor moralidade. O calor
ideológico criou uma guerra santa com seus dogmas intransponíveis. Por exemplo,
o dogma das privatizações, chamadas de “privataria” pelo Governo e agora
transubstanciada em “concessão”, para não admitir o pecado original.
ESSE
FOI O PRINCIPAL ENTRAVE AO DESENVOLVIMENTO?
Foi o principal, mas não o único. Toda a
política econômica, chamada de Nova Matriz Econômica, pelo então ministro
Mantega, mostrou-se impregnada de equívocos e criadora de distorções que agora
começam a ser corrigidas, com enorme custo social e político. Hoje, apesar do
ambiente econômico muito mais deteriorado e da situação deplorável de uma boa
parcela de candidatos naturais a vencer as licitações, - as empreiteiras
ligadas a lava-jato – as chances de atração de concorrentes são bem razoáveis.
Isso se as lições do fracasso tiverem sido absorvidas.
E
NÃO HÁ VIRTUDES NO NOVO PLANO, FORA A VIRADA DE MENTALIDADE?
Aponto como a maior delas a ideia de lançar
debêntures, através das quais o BNDES buscará uma forma diferente de captar
parte dos recursos no setor privado. Há uma longa discussão no Senado sobre
essas questões e eu tenho me colocado decisivamente a favor dessa via. Há pouco
mais de um mês questionei o ministro dos transportes, em audiência pública na
Comissão de Infraestrutura. Disse a ele o que penso sobre o custo que esse
preconceito contra o capital privado provoca, ao definir uma linha imaginária
para o crescimento. O Brasil perdeu o bonde do desenvolvimento e agora chama o
trem para consertar o erro. Lamentamos o erro mas louvamos a correção dos
rumos.
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