“A MELHOR VIRADA É DE MENTALIDADE”.

11.6.15
Senador Roberto Rocha pontua avanços, mas critica aspectos do Plano Logístico do Governo.

A PRESIDENTE DILMA ANUNCIOU O NOVO PLANO DE CONCESSÕES, SINALIZANDO UMA VIRADA DE PÁGINA DO GOVERNO. QUAL A SUA VISÃO SOBRE O NOVO PACOTE?
A melhor virada não é a de página, é a de mentalidade. Não há dúvida de que do ponto de vista administrativo esse é o caminho que o país tem que seguir, apostando na emulação entre as forças produtivas e o Governo. O problema é que demorou demais, por conta de uma interdição ideológica que puniu o país e a sociedade. Nesse sentido, com todos os problemas que possa ter o novo plano, e são muitos, devemos comemorar a mudança conceitual que eu espero tenha vindo para ficar.

E QUAIS SÃO OS MAIORES PROBLEMAS?  
Em primeiro lugar, por coerência, deveria ter sido prestado conta do ultimo plano, de
2012, que prometeu 133 bilhões de investimentos, sendo 99 em ferrovias, além da compra pela Valec de toda a oferta de transporte ferroviário. Nada disso foi feito. O Governo chegou a criar uma estatal, a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), para planejar os transportes de forma integrada no país. Essa empresa descarrilou e tudo isso contribui hoje para o déficit de credibilidade do Governo, que ainda é o maior entrave para o engajamento do setor produtivo.

COMO O GOVERNO PODERÁ SUPERAR ESSAS DESCONFIANÇAS?
Do ponto de vista político o governo Dilma é um poço de contradição e o PT é outro. O Plano é o triunfo da adoção de modelos e ideias que o próprio Governo criticou. O mais importante é saber até que ponto o governo Dilma está mesmo disposto a mudar a postura desastrosa em relação a investimentos que arruinou o PAC e levou ao emperramento do programa anterior de concessões. Infelizmente o governo Dilma tratou o setor privado interessado na prestação de serviços públicos como predador de recursos nacionais, como se estivesse em condições de impor moralidade. O calor ideológico criou uma guerra santa com seus dogmas intransponíveis. Por exemplo, o dogma das privatizações, chamadas de “privataria” pelo Governo e agora transubstanciada em “concessão”, para não admitir o pecado original.

ESSE FOI O PRINCIPAL ENTRAVE AO DESENVOLVIMENTO?
Foi o principal, mas não o único. Toda a política econômica, chamada de Nova Matriz Econômica, pelo então ministro Mantega, mostrou-se impregnada de equívocos e criadora de distorções que agora começam a ser corrigidas, com enorme custo social e político. Hoje, apesar do ambiente econômico muito mais deteriorado e da situação deplorável de uma boa parcela de candidatos naturais a vencer as licitações, - as empreiteiras ligadas a lava-jato – as chances de atração de concorrentes são bem razoáveis. Isso se as lições do fracasso tiverem sido absorvidas.

E NÃO HÁ VIRTUDES NO NOVO PLANO, FORA A VIRADA DE MENTALIDADE?
Aponto como a maior delas a ideia de lançar debêntures, através das quais o BNDES buscará uma forma diferente de captar parte dos recursos no setor privado. Há uma longa discussão no Senado sobre essas questões e eu tenho me colocado decisivamente a favor dessa via. Há pouco mais de um mês questionei o ministro dos transportes, em audiência pública na Comissão de Infraestrutura. Disse a ele o que penso sobre o custo que esse preconceito contra o capital privado provoca, ao definir uma linha imaginária para o crescimento. O Brasil perdeu o bonde do desenvolvimento e agora chama o trem para consertar o erro. Lamentamos o erro mas louvamos a correção dos rumos.

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