UEMA: Mesa Redonda debate suicídio no Campus Caxias

4.7.19

Um trabalho realizado pelos Departamentos de Ciências Sociais e Filosofia com o apoio do Núcleo de Acessibilidade da UEMA Caxias.

Acadêmicos do Campus Caxias, curso de Ciências Sociais, organizaram uma mesa redonda nessa terça-feira (2), onde discutiram o tema “Falar é a Melhor Solução: Análise Sobre o Suicídio Numa Perspectiva Interdisciplinar”. Um trabalho realizado pelos Departamentos de Ciências Sociais e Filosofia com o apoio do Núcleo de Acessibilidade da UEMA Caxias. Para tratar do assunto foram convidados o Psicólogo Clínico especialista em Saúde Mental, Luís Fernando Rocha; a Cientista Social da Universidade Federal do Piauí, Gabriela Costa Rodrigues Neto; e a Jornalista e Advogada Lissandra Nazaré Roma Assunção Leite.

“Foi uma proposta feita pelo Departamento de Ciências Sociais e operacionalizada pelos alunos. A ideia é amadurecer o debate sobre o suicídio, chamar a sociedade caxiense, mostrar a importância dessa discussão. Os dados são alarmantes. Os palestrantes mostram a necessidade disso e uma das alternativas é dar visibilidade ao assunto”, explicou a professora Poliana de Sousa, uma das coordenadoras do evento.

“Estamos com um alto índice de comportamento auto-lesivo. Uma só vida perdida por causa do suicídio é uma tragédia social. Não há uma explicação única para ele. Primeiro adoecemos emocionalmente. É um drama pessoal que transcorre num palco de relações interpessoais em um ambiente social, político e social. Os mais vitimados são os adolescentes”, disse Luís Fernando.

Ainda de acordo com ele as pessoas não vão a um psicólogo por um tabu, preconceito. Muitas vezes um comportamento estranho deve ser tratado em terapias. Por isso, é necessário falar para que haja a prevenção. A sociedade não quer conversar sobre a morte. Existem poucas ferramentas para tratar o problema, por isso mais profissionais, além de psicólogos, devem pesquisar sobre isso. Se fosse só no âmbito psicológico seria mais fácil.

A pesquisadora Gabriela Costa destacou, que “desde o ano 2000 a OMS (Organização Mundial da Saúde) considera o suicídio um caso de saúde pública. Isso começou a produzir mobilizações de prevenção por governos e ONGs. Na era medieval era comum conviver com o luto; hoje isso não existe por causa da individualidade. A partir daí surgiu um tabu sobre a morte e o suicídio”.

“Um evento necessário. Falar é a melhor solução, mas escutar também é uma solução viável. Alguém precisa ter uma escuta sensível para indicar soluções. É algo gravíssimo. A sociedade precisa se irmanar e a Academia está no caminho certo, ofertando para a sociedade caxiense informações para prevenir o suicídio”, realçou uma das participantes do encontro, a socióloga Jesus Andrade.

A dificuldade em falar sobre o tema pode estar relacionada a questões como o fato de ele ser considerado algo contrário às leis divinas, proscrito. Antes havia leis que processavam o cadáver e retiravam os bens dos familiares.  No Brasil o Código Penal criminaliza a indução ao suicídio (um dos casos mais citados é o do jogo “Baleia Azul”).

Lissandra Nazaré abordou a atuação da mídia na abordagem de ocorrências de suicídio. “Não devemos ressaltar reações positivas nem achar que o suicídio é uma solução para a pessoa. Na cobertura dos fatos não podemos enaltecer o gesto nem tomá-lo como uma prova de coragem, num processo de romantização do ato, tornando o morto um herói. Não devemos simplificar a situação. A reportagem deve ser discreta e cuidadosa”, relatou.

No Brasil, de 1997 a 2017 houve um aumento de 80,4% dos casos de suicídio. No Maranhão, o aumento foi de 562,5% nesse período. Segundo a OMS, no mundo ocorre 1 morte a cada 40 segundos. No Brasil, 1 a cada 46 minutos. É a 2ª causa de morte entre adolescentes e jovens de 15 a 29 anos no planeta; no Brasil, é a 4ª causa nessa faixa etária. O fator mais relevante de risco é uma tentativa anterior. (Ascom/UEMA)

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