UMA VIDA, UMA ESPERANÇA

28.7.18

Por Chico Leitoa

Há 39 anos, 28 de julho de 1979, na Cidade de. Parnaíba, sob as bênçãos do Padre John Patric, na igreja de São Sebastião, casamos Eu e Beta. Uma cerimônia simples onde apenas alguns familiares puderam comparecer.

Eu cursava Engenharia civil na Universidade Federal do Piauí e ministrava aulas em escola particular em Teresina e escola pública em Timon, além de estagiar numa empresa privada na construção de casas para a classe media da capital Piauiense. Era uma vida atribulada. Sem transporte e morando em Timon, tinha que percorrer grandes distâncias a pé, de ônibus e caronas, principalmente em uma moto que o meu irmão João Damasceno me emprestava. Combinamos, Eu e Beta, que só teríamos filhos após eu terminar o curso. Porém, com menos de onze meses de casamento, nascia nosso primogênito. .

Um ano depois do nascimento do primogênito, conclui o curso numa maratona em que passamos 40 alunos e apenas 10 terminamos na primeira turma. Dois meses depois, nasceu o segundo filho. Um ano depois do nascimento do segundo, nascia prematuramente, a única filha (Izana), que veio a falecer com 16 dias de vida.

Foram anos de muitas lutas e adaptações, iniciando a vida profissional, com dois filhos pequenos e como âncoras de nossas famílias, eu e Beta fomos nos dividindo entre estruturar nosso lar, ela cuidando das crianças e da casa, e eu me firmando como Engenheiro na iniciativa privada. Pouco antes de me formar, conseguimos fazer, no próprio terreno onde morava toda a família, quatro cômodos onde praticamente nem chegamos a morar. Ao assumir as atividades de Engenheiro, logo compramos o primeiro carro (uma Brasília), com um ano o primeiro carro zero e com menos de dois anos, a casa onde moramos ate hoje, que passou por uma boa reforma. Depois do carro novo, fizemos inúmeras e felizes viagens à Parnaíba onde meu sogro era o maestro da banda de música da policia militar e onde a Beta, em função da transferência de seu pai, morou por dez anos, três dos quais namoramos e noivamos.

Já se vão 42 anos de convivência e trinta e cinco de casamento sempre pautado na compreensão e companheirismo além, claro, do sentimento que nos une.  Enfrentamos sempre juntos os problemas que são inerentes à vida de qualquer casal. A partir de um determinado momento, dona Beta começou a dividir comigo as atividades empresariais, seja na construção de casas, até a instalação de uma loja de comercializar ferro, em maio de 1987, na Av. Miguel Rosa, próximo à ponte metálica em Teresina. Começamos com seis e no final de um ano tínhamos um estoque de 100 toneladas de ferro. Somente eu, Beta e o amigo (cantor) João Paulo trabalhávamos lá, sendo que dona Beta além de gerenciar fazia as entregas. O negócio ia de vento em popa, veio a primeira campanha para prefeito em 1988 e consumiu a loja. Mais ou menos na mesma época e praticamente do mesmo porte, nascia a hoje gigante Ferronorte.

Nos anos de 89 e 90, praticamente morei em São Luís, com as crianças pequenas, Beta não podia me acompanhar, porém, nas férias escolares ela permanecia na capital maranhense com os pequenos.

A minha entrada na política teve seu aval e sempre esteve à frente em todos os momentos, seja em campanhas, seja em governos. Ela nunca reclamou da gente ter gasto em campanhas, o que ganhamos trabalhando empresarialmente, uma grana que poderia ser hoje um grande patrimônio. Não lamentamos por isso, o que nos faz falta hoje, é a saúde dela. Hå mais de nove anos, sofre de uma doença neurológica degenerativa, ocasionada por lesão nas células do neurônio motor (responsável pelo enrijecimento dos músculos e pela emissão de comandos através do cérebro) denominada ELA (esclerose lateral amiotrófica). A estatística é de uma para cada cem mil pessoas, que normalmente duram entre dois e cinco anos. Apesar dos esforços mundo a fora, pouco se conhece da origem da doença. Faltam investimentos para o aprofundamento mais rápido para que a cura seja alcançada.

Buscamos todos os meios para tentar melhorar sua saúde, desde dois anos no Sara em São Luís, dezenas de médicos e clínicas em vários Estados, milhares de exames até fora do País, há três anos e meio sendo acompanhada por um neurologista renomado Dr Pedroso, o que nos impôs mais de dez viagens a São Paulo, e utilização de alguns medicamentos em fase de testes levados a congressos internacionais tais como: metilcobalamina e L-Serina, cura religiosa em Santo Amaro (SP) missa da cura com Padre Eugênio Maria (três vezes) e Abadiânia (GO) casa de cura Santo Inácio com Seu João de Deus (cinco vezes), remédio caseiro, orações, muitas orações e uma maratona de médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e medicações de uso contínuo, mesmo assim a doença avança lentamente.

Hoje vejo minha companheira debilitada, já usando um aparelho para ajudar na respiração na hora de dormir. Com certeza sofrendo por não poder levar uma vida normal sob todos os aspectos inclusive curtir melhor o neto e as duas netas, e ajudando mais diretamente o Luciano na sua grande tarefa. Mas não se entrega e está sempre ligada através das redes sociais e se cuidando como pode.  Seu visual pouco mudou sempre se cuida e quando vamos a algum evento, ela, mesmo de cadeira de rodas, sentada, nem parece que tá doente. Sempre muito bonita. Dias 22 e 23 de junho passado fomos a um congresso em São Paulo sobre ELA, Beta se destacou e foram varias participantes que acometidas ou não da doença que pediram pra tirar e tiraram muitas fotos com ela.

Beta sempre foi da linha de Frente. Também deve sofrer por não poder usufruir na plenitude, a solidez do nosso casamento, quando entro no ano de completar 65 e ultrapassamos quatro décadas que estamos juntos.

Quantos momentos já foram subtraídos em função do seu estado de saúde. Lembro da última viagem a Barreirinhas, antes da manifestação da doença, em fevereiro de 2009. A foto abaixo retrata o que foram aqueles três dias.

Hoje nos apegamos a Deus e temos esperança de vê-la pelo menos ter sua saúde melhorada. Esta brava e bonita mulher que sempre procurou ajudar as pessoas e sempre foi cheia de vida, merece ser curada pela mão divina. Oremos… Deus testa os seus!!!

Neste sábado 28.07.2018, completamos 39 anos de casados, parceria absoluta ao longo de todos esses anos.

Chico Leitoa é engenheiro, ex-Prefeito de Timon, ex-Deputado Federal e Estadual.

Escrito em janeiro de 2014

Atualizado em 28.07.2018

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