A Palmatória das Ruas

19.3.15
Por Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

A nossa querida Presidenta, atualmente nem tão querida assim, que nunca antes se candidatara em qualquer eleição nem mesmo em tempos mais formosos para Rainha das Rosas, já estava no lucro ao fim do primeiro mandato e teria feito bonito se tivesse chamado o Lula para ser o candidato a sucedê-la.

A farofa que ela espalhou no ventilador da economia, o que acabou levando o País a temer o dia seguinte, sobraria para o Lula caso fosse ele o eleito ou para outro da oposição em condições até mais cômodas de limpar o cenário.

Não se recandidatando não só estaria no lucro como também iria usufruir na história as loas pelo bom exemplo de desprendimento pessoal às etéreas conquanto solúveis missangas do poder.

Lula só por ser o candidato a sucedê-la nunca diria o que tem pensado ultimamente em arrependimentos algumas vezes em voz alta. Muito ao contrário discursaria louvações ao seu charme de mulher brasileira.

Na sala de espera de um gabinete num Tribunal encontrei um experiente advogado radiante com a Presidenta que, horas antes, acabara de conhecer pessoalmente numa audiência que ela concedera a uns dirigentes da OAB.

Na avaliação do colega, a mulher que aparece durona passando tanto insegurança quanto arrogância quando fala na televisão é outra sem nada a ver com aquela que ele acabara de conhecer na audiência.

Contou que a mulher é uma pessoa humilde, que ouve e anota, deixando o interlocutor à vontade e seguro de que ela está mesmo dedicando toda a atenção ao momento. E olha que esse colega não é de tietagens soltas pela aí. Nem com a Gal Costa.

Mudou o natal ou mudei eu? Nem o próprio autor, Machado de Assis, nos legou resposta clara a tão sempre atual dúvida.

De fato, eu lera na véspera, em O Globo, num texto de Alan Gripp, que “se por alguma razão, um brasileiro tivesse ficado completamente fora do ar nas ultimas 48 horas não reconheceria a presidente Dilma Roussef que reapareceu ontem, depois das manifestações que levaram multidões às ruas.” Etcétera.

Uai, não está sendo agora voz geral que ela tem que mudar não só os rumos da economia, mas também economizando  palavrões e suavizando cinquenta tons do seu jeito de ser, melhorar seu trato com os empresários e a base aliada?

Pura maldade com uma pessoa que nunca pensou em ser Presidenta e porque nunca pensou nisso também nunca se preparou para isso.

Se a Presidenta fosse uma atriz de novela e estivesse encarnando um papel, por exemplo, de menina malvada, talvez até convencesse mais.

Ora, ninguém muda ninguém da noite para o dia no que a pessoa carrega, desde a infância, dentro de si no seu jeito de ser, de pensar e de agir.

Mas a ordem do criador, no caso o Lula, é amansar lapidando a criatura. Talvez seja o caso de pedir autorização do Brizola para mandar de volta o Darcy Ribeiro.

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