Definitivamente, a deputada estadual Cláudia Coutinho parece não conseguir distinguir alhos de bugalhos, nem realidade de fantasia.
O caso envolvendo assessores constrangendo pacientes enfermos no Hospital Macrorregional Everardo Aragão, em Caxias, para que os mesmos prestassem depoimentos elogiosos “a Deus, à deputada Cláudia e ao governador Carlos Brandão” por terem sido operados naquela unidade de saúde revela a insustentável situação administrativa em que teria sido transformado o antes prestigiado hospital regional, que agora estaria funcionando como um ambiente velado para promoção política.
A deputada se explicou, ou tentou se explicar, na tarde desta quarta-feira (27), sobre a denúncia que tomou as redes sociais em Caxias e região durante todo o dia. No “pronunciamento” dela, publicado também neste blog, muita coisa foi dita, mas nenhuma explicação plausível foi apresentada para a elucidação do episódio (reveja aqui).
Em outra manifestação, agora em forma de nota de esclarecimento, a deputada Cláudia muda parcialmente a linha adotada anteriormente, piorando o que já estava péssimo.
Elevando a situação a um cenário ainda mais desastroso, os esclarecimentos da deputada afirmam que seus assessores estariam “no cumprimento estrito de suas prerrogativas constitucionais de fiscalização dos serviços públicos e acompanhamento das demandas da população junto aos órgãos do Estado”.
A nota, porém, atribui prerrogativas constitucionais a assessores que nunca foram eleitos, não passaram em concurso público e tampouco são servidores ou auditores de carreira do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde ou da Controladoria-Geral da União. Os envolvidos seriam apenas assessores nomeados no gabinete parlamentar da deputada, exercendo funções políticas e sem qualquer atribuição formal de fiscalização institucional em unidades hospitalares.
Nas imagens que circularam nas redes sociais, uma mulher chega a justificar sua recusa em participar da gravação afirmando estar "toda ensanguentada”.
Na versão apresentada pela parlamentar, aquilo que se viu no vídeo seria apenas um singelo “diálogo”, que, segundo a nota, “ocorreu de forma estritamente profissional, visando compreender as necessidades do serviço prestado”.
Na nota assinada pela deputada, afirma-se ainda que “reafirmamos nosso compromisso com a transparência, com a ética pública e com o respeito à privacidade dos cidadãos caxienses”, exatamente o oposto do que teria sido demonstrado nas imagens divulgadas, nas quais pacientes aparecem sendo abordados dentro do hospital.
Como a capacidade de agravar ainda mais a situação parece não ter fim, no encerramento da nota ainda sobra espaço para a busca de um possível “culpado”. O texto informa que “quaisquer excessos ou desconformidades nos procedimentos internos de abordagem serão rigorosamente avaliados e corrigidos administrativamente”, o que pode ser interpretado como uma tentativa futura de encontrar um bode expiatório para o episódio.
Resta
saber: a responsabilidade recairá sobre o porteiro que permitiu a entrada da
equipe no hospital ou sobre algum assessor novato que teria tido a “ideia” de
realizar entrevistas com pacientes internados?


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