Sancionada em
novembro, a reforma do Imposto de Renda (IR) entra em vigor nesta quinta-feira
(1º). O novo modelo, que aumenta a faixa de isenção para cerca de 15 milhões de brasileiros que
ganham até R$ 5 mil por mês, traz mudanças relevantes tanto
para os trabalhadores quanto para investidores e contribuintes de alta
renda.
As novas regras afetam desde a retenção mensal no salário até a
tributação de dividendos. Para compensar a perda de arrecadação, quem ganha a
partir de R$ 50 mil por mês passará a pagar mais Imposto de Renda, assim como
parte das pessoas que recebem dividendos (parcela de lucro das empresas
distribuídas aos acionistas). Ao todo, 141 mil brasileiros, segundo o governo, passarão a pagar
mais IR.
Em relação à Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, nada
muda para o documento deste ano, porque a declaração se refere ao ano-base
2025. Somente em 2027 (ano-base 2026), o novo modelo de IR será ajustado
definitivamente na declaração.
A seguir, veja o que muda na prática e como isso pode impactar o
seu bolso.
Quem
passa a ficar isento do IR?
A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção:
- Renda mensal de até R$ 5.000: isenção total do Imposto de
Renda;
- Atualmente, a isenção vai apenas até dois salários mínimos (R$
3.036).
Segundo o governo, cerca de 15 milhões de brasileiros ficam
totalmente isentos com a nova regra, o que representa uma renúncia fiscal de R$
25,4 bilhões.
Economia estimada:
Quem ganha até R$ 5 mil pode economizar até R$ 4 mil por ano,
considerando o décimo terceiro salário.
Desconto
gradual para salários até R$ 7.350
A reforma cria uma faixa intermediária de alívio tributário:
- De R$ 5.000,01 a R$ 7.350 por mês: isenção parcial, com
desconto decrescente no imposto;
- Acima de R$ 7.350: nada muda; segue a tabela progressiva atual
(até 27,5%).
O desconto diminui gradualmente conforme a renda sobe, evitando
o chamado “degrau tributário”, quando pequenos aumentos salariais geram saltos
grandes no imposto.
Exemplos práticos:
- Salário de R$ 5.500: imposto mensal cai cerca de 75%;
- Salário de R$ 6.500: economia aproximada de R$ 1.470 por ano;
- Salário de R$ 7.000: economia em torno de R$ 600 por ano.
O valor exato do desconto depende do cálculo individual e de
outras rendas e deduções.
O que
muda no desconto em folha já em janeiro?
A mudança é sentida imediatamente:
Quem se enquadra na nova isenção ou no desconto parcial já deixa
de sofrer a retenção integral do IR na fonte sobre o salário de janeiro, pago
no fim do mês ou no início de fevereiro.
Atenção:
Mesmo isento, o contribuinte terá de declarar IR em 2026,
pois a declaração será referente ao ano-base 2025, quando a nova regra ainda
não valia.
Imposto
mínimo para alta renda
Para compensar a perda de arrecadação, a reforma cria o Imposto de
Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado à alta renda:
- Renda anual acima de R$ 600 mil (R$ 50 mil/mês): entra na
regra
- Alíquota progressiva de até 10%
- Renda acima de R$ 1,2 milhão por ano: alíquota mínima efetiva
de 10%
Estimativa do governo:
Cerca de 141 mil contribuintes serão afetados.
O que entra no cálculo do IRPFM?
- Salários;
- Lucros e dividendos;
- Rendimentos de aplicações financeiras tributáveis;
- Em relação aos salários acima de R$ 50 mil por mês, essa fonte
de renda gera desconto no IRPFM a pagar, mesmo incluída na base de cálculo.
Isso porque o Imposto de Renda já foi descontado na fonte, com alíquota de
27,5%.
Ficam fora:
- Poupança, Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de
Crédito do Agronegócio (LCA), fundos imobiliários, Fiagro e outros
investimentos incentivados;
- Heranças e doações;
- Indenizações por doença grave;
- Ganhos de capital na venda de imóveis, exceto fora da bolsa;
- Aluguéis atrasados
- Valores recebidos acumuladamente, por meio de ações
judiciais;.
- O imposto mínimo será apurado apenas na declaração de 2027.
Tributação
de dividendos
Outra novidade relevante é a tributação de dividendos na fonte:
10% de imposto retido sobre dividendos;
Apenas quando superarem R$ 50 mil por mês;
Valor pago por uma única empresa à pessoa física.
A maioria dos investidores não será afetada. A medida mira
sócios e empresários que recebiam altos valores em dividendos, até então
isentos.
O imposto retido poderá ser compensado na declaração anual.
Pontos de atenção e possíveis disputas
Dividendos relativos a lucros apurados até 2025 só permanecem
isentos se a distribuição tiver sido aprovada até 31 de dezembro de 2025.
Especialistas alertam para possíveis questionamentos judiciais, por possível
efeito retroativo da regra.
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Resumo rápido: o que muda a partir desta quinta
- Isenção total até R$ 5 mil por mês;
- Desconto gradual até R$ 7.350;
- Nada muda para salários acima disso;
- Imposto mínimo de até 10% para renda acima de R$ 600 mil por
ano;
- Dividendos acima de R$ 50 mil por mês passam a ser tributados.
A reforma redesenha a tributação da renda no país e começa a ser
sentida agora no salário, mas os efeitos completos aparecerão apenas na
Declaração do Imposto de Renda de 2027.