Outra guerra da vacina

29.11.20

Da Coluna do Sarney 

Faz parte da História do Brasil a famosa guerra da vacina, do princípio do século XX, em que os cadetes das escolas militares se levantaram contra a vacina que Osvaldo Cruz começava a aplicar e contra o plano para saneamento do Rio de Janeiro. A capital tinha uma situação sanitária precária e péssima reputação. Para completar tivemos a grande figura de Rui Barbosa aderindo à causa contra a vacina de maneira virulenta, colocando sua eloquência para condenar a vacinação obrigatória. Hoje, quando a gente lê os discursos que fez fica estarrecido: como um homem de uma inteligência tão brilhante podia defender tais absurdos? No fundo as correntes que se digladiavam tinham uma motivação política, governo x oposição. Mas esse é passado a esquecer.

Agora vivemos outra guerra da vacina. Não como a outra, que era a negação da ciência. Com o Coronavírus a humanidade está enfrentando uma doença que já fez milhões de mortos e de infectados, mostrando o sistema de saúde mundial carente de equipamentos e recursos humanos.

Por outro lado, devido a seu alto poder de transmissibilidade, disseminou um medo que mudou a vida social e a rotina das cidades. Mas é difícil controlar os bilhões de seres humanos e seus hábitos de vida. Todo mundo devia recolher-se em casa, usar máscara e evitar contato pessoal, ainda mais os velhos, com agravantes que diminuem a capacidade de defesa do organismo.

Pois há uma guerra política de quem vacina primeiro, qual a vacina melhor etc. Mas sem dúvida a maior de todas, sem aparecer, é a guerra dos laboratórios pelos bilhões a ganhar com um mercado gigantesco de fregueses prontos para gastar o que tem e o que não tem para livrar-se do mal.

Sobre este ponto gosto de lembrar uma história contada por meu querido amigo Severo Gomes: um laboratório pedia desculpas aos acionistas pelo pequeno rendimento das suas ações: “Tivemos um inverno fraco, baixo nível de doenças respiratórias, pneumonias, gripes. Mas fiquem tranquilos os acionistas que as previsões do próximo ano são de um inverno brutal, em que vai morrer muita gente e vamos recuperar os baixos lucros deste ano.” “O lucro é a lógica do mercado” — e por trás dessa guerra das vacinas lá está ele.

Já disseram que a vacina russa não prestava, que a chinesa não era segura e agora que a de Oxford, com algum fundamento, tem erros de metodologia que podem atrasá-la.

Meu ponto de vista é que o mundo está longe de pensar na vida. A vacina deve ser obrigatória e todos os governos mundiais deviam estar juntos, sem que estes medicamentos fossem objeto de comércio, todos unidos para salvar a Humanidade. E precisamos nos adaptar às limitações da Terra, deixando de agredi-la e poupando seus recursos. Do contrário um vírus desses, o Sars-Cov-2 ou outro que sem dúvida alguma vai aparecer, vai acabar com o gênero humano, e a Terra vai vagar sozinha no espaço infinito com suas belezas até o sol esfriar.

Helmut Schmidt dizia: a maior ameaça ao futuro da Humanidade são “as doenças desconhecidas”.

Lave as mãos, use máscara, não saia de casa, mas que a vacina venha, urgente, é nossa grande esperança.

Deus a traga logo e nos evite sofrer mais espera.

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