História ameaçada – Residência de um dos maiores empresários de Caxias no século passado sofre com descaso dos proprietários e pode desabar

6.7.16
Residência está perdendo a imponência diante do
abandono em que se encontra
A atual fase de destruição e desrespeito com o patrimônio histórico de Caxias pode ganhar em breve um dos seus capítulos mais tristes.

Localizado na Rua 1º de Agosto, a antiga residência de José Delfino da Silva (in memoriam), um dos maiores empresários de Caxias, parece estar com os dias contados.

Além do descaso do poder público, que não tem uma política de incentivo e proteção ao patrimônio artístico, cultural e histórico municipal, o prédio também sofre com a falta de interesses dos herdeiros do espólio de José Defino, que parece que deixaram que o tempo e os vândalos se encarreguem de derrubar as históricas paredes.

Para quem não sabe, José Delfino nasceu na cidade de Pedreiras e ainda jovem veio com toda a família residir em Caxias. Aqui tornou-se um dos mais importantes comerciantes da região, sendo proprietário da firma J.D. Silva. Era irmão mais velho de Alderico Silva, futuro Comendador, e que foi seu empregado quando jovem. Na política foi eleito vice prefeito de Caxias em 1925, onde na renuncia do titular acabou assumindo o governo, porem também renunciou. Era um dos apoiadores da Aliança Liberal na cidade, movimento que culminou na Revolução de 30. Era membro da Maçonaria e um dos fundadores do Rotary Club em 1941, ao lado de Eugenio Barros, Nachor Carvalho, Alcindo Cruz Guimarães e outras figuras da alta sociedade caxiense. Ajudou a fundar ainda: Associação Comercial de Caxias (1920), Ginásio Caxiense (Década de 1930), Centro Cultura Coelho Neto (1947) que viria a ser posteriormente o Colégio Coelho Neto (trecho extraído do site do arquiteto caxiense Ezíquio Barros).

Lixo toma conta da área
Apesar do desprezo dos herdeiros, a imponência do casarão da Rua 1º de Agosto ainda impressiona os transeuntes.

O titular do blog esteve no local para constatar in loco a situação geral do prédio.

Abandono do prédio deixa os caxienses revoltados
Ao adentrar o interior da majestosa residência senti um misto de perplexidade e indignação. Perplexidade com o tamanho e os traços de requinte e bom gosto da antiga construção e indignação com o estado de abandono em que se encontra.

No alto da parede da frente da residência ainda se encontra o letreiro “Delfinlândia”, que foi como o seu construtor a batizou.

Herdeiros não se interessam pela preservação do local
Vários ornamentos que existiam ali foram levados por saqueadores e o odor insuportável de fezes e urina não permite a permanência de ninguém ali dentro por mais de 5 minutos.

Recentemente os caxienses se revoltaram com a demolição de um prédio na Rua Afonso Cunha onde eram encontrados traços arquitetônicos do século XIX, mas não tenho dúvidas que assim que a residência de José Delfino da Silva desabar, a revolta será ainda maior.

Uma pena que já será tarde demais.

É a nossa história e o nosso passado presentes apenas nas lembranças e em registros fotográficos.






8 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    SEMPRE QUE PASSO EM FRENTE A ESSA MANSÃO ME BATE UMA TRISTEZA MUITO GRANDE...COMO PODE ALGUÉM DEIXAR UM PRÉDIO DESSES NESSE ESTADO? MAIS UM PEDAÇO DA HISTORIA DA NOSSA TERRA EM RUÍNAS...PASSEI A MINHA INFÂNCIA ASSISTINDO AINDA QUE DE LONGE FESTAS, ALEGRIAS, MULHERES E HOMENS BEM VESTIDOS, MUSICAS, TUDO MUITO ILUMINADO, PESSOAS SENTADOS NA ÁREA EXTERNA DA CASA...E HOJE SE TRANSFORMOU NUM LIXÃO EM PLENO CENTRO DA CIDADE...MUITO TRISTE ...

  1. Anônimo disse...:

    Muito triste que uma herança patrimonial do nosso município esteja nessa situação, pois é um pedaço de nossa cidade que também se perde.

  1. Anônimo disse...:

    Há interessado em comprar o imóvel para revitalizar o espaço em toda sua beleza, porém a família não entra em acordo. Uma pena!!!

  1. Anônimo disse...:

    “Centro Cultura Coelho Neto (1947) que viria a ser posteriormente o Colégio Coelho Neto”. Há um engano aí. Colégio Coelho Neto (Fundação Educacional Coelho Neto), situado na Rua Cel. Libânio Lobo, idealização e realização de Dr. Marcelo Tadeu de Assunção, na década de 1960. Possivelmente, o Centro Cultura Coelho Neto, seja o Centro Artístico Operário Caxiense, situado na Rua Coelho Neto, antiga Rua da Palma, casa (reformada) em que nasceu Coelho Neto.

  1. Anônimo disse...:

    A informação está correta. O Centro Cultural Coelho Neto durou alguns anos até que mudou de nome para Colégio Coelho Neto usando a mesma estrutura. A sua relocação ou alteração no nome é que pode ter coincidido com o exercício de prefeito do Dr. Marcelo Thadeu. O Centro Artistio Operário Caxiense foi fundado em 1910 e desde a década de 1930 está no mesmo local que se encontra hoje.

  1. Anônimo disse...:

    E triste saber que essa casa está nessas condições, quando eu vou pra UEMA, sempre estou olhando pra ela e imagino como era o passado os traços que estão nas paredes são incríveis. Já não se tem arquiteto como antes.

  1. Que o patrimônio histórico de Caxias deve ser restaurado e conservado, disso não tenha dúvida!

  1. Porém, na minha modesta opinião, é preciso falar também o que realmente representava o poder desse digníssimo cidadão caxiense e sua honrosa família.

    Em primeiro lugar, não se pode negar a importância e as ações positivas dele e de sua família. Mas, é preciso falar também do verdadeiro sentido de representatividade deles à época.

    Ele e sua família representava um poder que era autoritário e explorador da minoria.

    Poder esse, que politicamente na década de 1920, era representado pela chamada "República Velha", composta pelo Coronelismo autoritário. Na eleição do qual ele participou e ganhou como vice, a maioria não podia participar e votar, quem votava era uma pequena minoria alfabetizada, mas voto era o chamado pela história de "Voto de Cabresto", ou seja, só votava-se em quem os coronéis queriam.

    A "Aliança Liberal" do qual o nobre político participou culminou no movimento "Tenentista" que terminou no "Golpe de 1930" de Getúlio Vargas, que, levou o Brasil, a um período de "Ditadura", em que a população não tinha sua representatividade democrática.

    Esse digníssimo e honroso cidadão e sua família representava esse poder. Poder esse exercido por uma pequena minoria elitizada que explorava a grande maioria.

    Essa grande maioria representada pelos trabalhadores deve ser sim lembrada e valorizada muito mais do essa elite exploradora, mas que, infelizmente não é lembrada como deveria!

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