Ex-coordenadora do Plano Diretor de Caxias apresenta sua versão sobre instalação do “Distrito Industrial” na zona rural do município

3.11.15
Prezado Sabá,

Boa Tarde!

Ontem, domingo 01/11/2015, tive acesso a uma publicação no Blog do Sabá, intitulada “Incompetência, falta de compromisso e péssima localização fazem do Parque Empresarial de Caxias um sonho desperdiçado”, na qual existe uma referência a minha pessoa.

Diante disto, durante minutos tentei voltar a 2006, época em que “coordenei” o primeiro Plano Diretor de Caxias/MA. Com isso, antes de me reportar, procurei resgatar todos os elementos que criaram uma equipe multidisciplinar, formada por técnicos caxienses e por representantes sociais, que foram os atores no dialogo para desenvolvimento do Plano Diretor, e consequentemente, pela escolha do local destinado ao Distrito Industrial do Município.

Devido a pratica de uma gestão participativa, não caberia a mim, tomar qualquer decisão dentro de um Plano Diretor, sem que houvesse comunicação e consenso geral dos demais responsáveis e munícipes participantes das audiências públicas.

Recordo-me que foram estudadas 04(quatro) áreas para a localização do Distrito Industrial – DI. Com os seguintes condicionantes de avaliação e melhor adequação: sustentabilidade; acessibilidade rodoferroviária local, regional e nacional; desenvolvimento da cidade; características dos ventos e poluição na área urbana.

A primeira alternativa lançada, a mais óbvia, seria o crescimento da área onde hoje se situa a Indústria da Schin. Esta alternativa esbarrou no posicionamento da área dentro da Reserva Ambiental do Inhamum. Não sei se ainda está neste contexto, mas a própria Schin não conseguia utilizar as “águas especiais” dos lençóis subterrâneos de Caxias, para fabricar sua cerveja. As águas tinham acabado. Era necessário, mas que antes, preservar a vegetação. Água é o bem mais precioso da humanidade, e só existirá junto com vegetação densa.

A segunda alternativa seria criá-lo do outro lado da Schin, em suas proximidades. A rede hídrica, a vegetação e a topografia mostravam que não era ambientalmente viável e em termos financeiros – movimento de terra para aplainar a área, requeria um grande aporte financeiro.

Ao norte da cidade situam-se dois importantes cursos d’água que deveriam ser aproveitados para fortalecer a vocação turística da cidade: os rios Lamego e Ouro. Não foi estudada alternativa neste local.

A terceira alternativa discutida indicou uma área na região leste da cidade, e seu acesso dar-se-ia através de uma nova via, surgida com o Plano Diretor e que continuou nele. Este via partia da Av. Central, dando continuidade à Av. Alvorada. Mas, a topografia é bastante acidentada nesta área, neutralizando esta opção para instalação do DI.

A quarta alternativa ficava na parte mais sudeste do centro de Caxias, na área da antiga Ramires, precisamente a 9,2 km do entroncamento da Av. Central com A BR-316. A topografia era razoavelmente plana, a distância do centroide da área (centro de gravidade populacional) possível de ser percorrida por bicicleta (12 km aproximadamente), a área já se encontrava desmatada, e a ferrovia passava a 4,5 km da rodovia BR-316.

Um Distrito Industrial não deve ficar muito próximo das áreas habitacionais. Para que um Distrito Industrial se estabeleça existem alguns elementos que são fundamentais: o local onde se posiciona tem determinada matéria prima que atrai uma cadeia de indústria, ou material humano qualificado, ou se situa perto dos centros de demanda (redução de custos de transporte), entre outros.

Neste contexto, acredito que o posicionamento proposto pelo Plano Diretor participativo de 2006 foi feito com base técnica e aprovado em audiências públicas, inclusive na área rural.

Finalizando, acredito que a localização não é a causa da falta de interesse de empreendedores. Talvez o momento de sua inauguração, coincidente com uma forte retração econômica brasileira, justifique melhor.

Atenciosamente,

Maria de Fátima Guimarães Corrêa de Araújo

Coordenadora do Plano Diretor aprovado em 06/10/2006

3 comentários:

  1. Unknown disse...:

    Curioso e ver como as pessoas não reagem positivamente a um texto bem escrito, esclarecedor e impecável, em termos técnicos.

  1. Anônimo disse...:

    É mais na prática não foi aprovado ainda!

  1. Maria de Fátima G. Corrêa de Araújo disse...:

    Muito obrigada, Sabá!

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