O Povo Quer Saber

9.10.14
Por Edson Vidigal, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.  Advogado e Professor de Direito.

Desde a redemocratização na segunda metade do ultimo século à data de hoje o Maranhão só elegeu um Governador de bigode. Entre muitos políticos emergentes, a chave do sucesso, quem sabe, não estaria ali naquele estreito puxadinho de pelos?

O então jovem eleito foi imitado e por décadas seguiu imitado, mas como o sabão da família Martins – nunca igualado.

Entre os candidatos a Governador no ultimo domingo não havia nenhum de bigode. Apesar do medo espraiado por uns e outros na campanha, de bigode mesmo não se viu nem alma. Tampouco os fantasmas de outrora que votavam não só emprenhando as urnas como produzindo maiorias absolutas para os donos do poder de então.

Agora, passada a refrega - a festa, a lua de mel e as aspirações decorrentes. Depois, em muitas coisas a razão negando o sim aos adjutórios mais sonhados.

O endividamento maior que as possibilidades orçamentárias. A infraestrutura incipiente. Educação fundamental de mentirinha. Ensino médio deficiente. Saúde pública mais que enferma. Enfim, os lastimáveis índices desenvolvimento humano - os piores do Brasil.

Tenho sempre em mente a constatação de Goete que o doutor Tancredo costumava repetir – mais difícil que abater o monstro é remover-lhe os destroços. É o nosso caso no Maranhão.

Por que não uma Comissão da Verdade? No Maranhão se praticaram violências só comparáveis aos tempos de Trujillo na República Dominicana, Papa Doc e Baby Doc no Haiti.

Já nem me refiro às violências no campo, às grilagens de terras, às expulsões de famílias de lavradores e de indígenas, aos crimes de mando, às pistolagens, que inspiraram perseguições contra pessoas do bem como o Padre Vitor Asselin e o lendário Manoel da Conceição.

Há décadas, e não são poucas, se faz silencio como se todos nós fossemos cumplices do enriquecimento de famílias que, notoriamente, não herdaram fortunas, não ganharam prêmios bilionários nas loterias, não trabalharam duro em atividades licitas e que no tempo integral da politica acumularam contas bancárias no exterior, patrimônios imobiliários de valores incríveis aqui e alhures, faculdades, fazendas quilométricas, redes de rádio e de televisão.

Há um elenco de Governadores de origens familiares reconhecidamente humildes que acabaram donos de estações rádios e de televisões impondo pelo coronelismo eletrônico a manipulação das informações para confundir a população e cravar mentiras contra os que se lhes opõem – eis uma boa pauta, dentre outras, para uma Comissão da Verdade no Maranhão.

Como justificava aquele jurado do programa do Silvio Santos antes de dirigir ao apresentador uma pergunta incômoda – Seu Silvio, o Povo quer saber...

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