Debate

22.10.14
Por Edson Vidigal, advogado, professor e ex-ministro do STJ

Candidato, estamos numa fase de muito calor e pouca água. Você poderia me explicar o que significa a influencia do rabo do peixe no movimento da agua, que consta do seu programa de governo?

Candidata, a senhora se leu não entendeu nada. Eu não governo o Brasil. Ainda. Governei um modesto Estado que incidentalmente entrou num samba do Noel. E por falar em Noel, candidata, poderia explicar para o Brasil esse seu PAC das crianças?

Candidato, você parece que nunca foi criança. O dia da criança é o dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante.

Obrigado, candidata. Entendi. Agora eu pergunto. No seu Governo a lei Maria da Penha será flexibilizada para inibir a violência domestica também entre os casais homo afetivos?

Candidato, você é muito engraçado. Você sabe que não fiz faculdade de 
Direito, até porque meu pai era engenheiro. E o sonho dele era me ver de macacão e capacete subindo nos postes quando durante a chuva pintasse um apagão no bairro. Mas o seu avô foi do Ministério Público, candidato. Pensa que eu não sei...

Candidata, a senhora não respondeu a minha pergunta. Insiste na mesma leviandade dos ataques pessoais. As pessoas que estão nos assistindo não querem saber de ataques, candidata. Querem saber o que temos a lhes oferecer e ao País nos próximos quatro anos. Vamos falar de mobilidade urbana, de ciclovias, de redução dos gases no transito. Qual a sua proposta, candidata?

Candidato, eu já fiz obras das mais variadas, desde obras da mobilidade urbana, como é a solução ali do Largo do Abacaxi, da via do Abacaxi, rótula do Abacaxi, que virou, segundo eles, quando eu fui lá inaugurar uma rota diferente, uma rótula diferente, a rótula do Quiabo, a rótula que sai Abacaxi tranca e o quiabo flui. Vou fazer o PAC da Monark, da Caloi, da Gulliver e agora tem umas elétricas aí que o BNDES vai financiar. E o senhor, candidato, vai mandar fechar as fábricas de bafômetros?

Candidata, lá vem a senhora outra vez com as suas leviandades. Não me desconstrua que não sou Harry. A Oposição quer saber onde a senhora escondeu aquele cão labrador lhe serviu de mascote na sua primeira campanha. A Oposição quer saber, afinal, quem é verdadeiro dono do cão que a senhora despejou do Palácio da Alvorada. Foi exilado no Torto ou na Papuda? Afinal, a senhora, candidata, sabe ou não sabe que houve um rombo?

Candidato, o senhor é muito do ousado. Qual é rombo? Eu vou dizer qual é o rombo. Eu quero saber o que há. Eu não sei o que há ou sei? Não sei. O senhor sabe o que há? Vou fazer só um raciocínio – como vocês e os jornalistas da Oposição sempre sabem tudo primeiro do que eu, como eu não sei o que há. Nosso País precisa também, candidato, de ter um compromisso com aqueles que desviam dinheiro público.

Candidata, não entendi que compromisso é esse. A senhora tem certeza do que está dizendo?

Candidato, quem é contra ter um compromisso com os que desviam dinheiro público? Só se for o senhor.

Candidata, a senhora se expressa mal. Fala sem pensar. E confunde Oludum com Astro de Ogum, que está na bica para assumir o trono de La Ravardiere.  Eu pelo menos nem falo tudo o que penso. Mas senhora, candidata...

Candidato, meu querido...

(êpa, êpa, êpa! Ainda tem criança na sala? Retirem as crianças da sala, por favor! / Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste / Criança, não verás País nenhum como este! - Olavo Bilac).

0 comentários:

Postar um comentário