Alucinações

30.9.14
Artur Rimbaud, passando “Uma temporada no inferno”, disse: “Acostumei-me à alucinação simples: via fácil uma mesquita no lugar de uma fábrica, uma aula de tambores dada por anjos, carruagens nas rotas do céu, um salão no fundo de um lago; os monstros, os mistérios; um título de comédia me sugeria assombros”. E sugerem algum tipo de alucinação os últimos atos do governo, que a cada movimento se enreda mais em ilegalidade, na busca de mudar uma realidade eleitoral a cada dia mais consolidada.

O candidato Lobão Filho de fato propôs num programa de rádio pagar 20 mil reais por cada vídeo produzido contra seu principal adversário, Flávio Dino. E nos espanta a todos ver o membro de uma facção criminosa acusando o líder da coligação “Todos pelo Maranhão” de comandar um assalto a cofres fortes. Só mesmo mentes alucinadas poderiam achar que tamanha sandice tinha alguma chance de dar certo. E resvalam, os mentores de tamanha estultícia, apanhados com a boca na botija, pelas profundezas da idiotia ao achar que alguém no Maranhão possa crer nisso. E quanto à revista da aeronave do candidato Lobão Filho, pareceria natural não fosse esse um período eleitoral, posto que o personagem é um homem investigado em processo corrente no Supremo Tribunal Federal.

Quedamos, agora, estupefatos, com uma reunião de secretários nas dependências do Palácio dos Leões na qual propõem, descaradamente, o abuso de poder político e econômico, crimes circunscritos ao Código Eleitoral, como forma de reverter a situação da candidatura de Lobão Filho. Propõem convênios às vésperas da eleição, outro crime previsto em lei; falam de prefeitos que não ‘vestem a camisa’ por falta de dinheiro, e outros absurdos que cada vez mais arrastam a coligação “Pra Frente Maranhão” no terreno movediço da ilegalidade.

Só alucinados iriam ocupar a Justiça no objetivo de responsabilizar Flávio Dino pela onda de criminalidade que tomou conta do Estado, como se fosse ele o governante; só um impressionante desespero os levaria a querer responsabilizar judicialmente o candidato por uma investigação da Polícia Federal. O juiz eleitoral Clodomir Sebastião Reis, naturalmente, negou a liminar requerida, chamando a atenção para a “fumaça do bom Direito”, o fumus boni iuris, cotejado há séculos pelos operadores da Justiça. E aqui, além do bom direito, falta o bom senso que já começa a provocar alucinações.

A bem da verdade, estão sonhando com aqueles ‘bons tempos’ em que rios de dinheiro eram despejados nesse Estado para comprar voto a voto, sem qualquer ou independente de fiscalização, porque os donos do poder podiam agir ao arrepio da lei. Já não é tão fácil, tanto que se deixam flagrar, dentro do próprio Palácio do Governo, ao cometimento de alguns dos mais graves crimes eleitorais. Acometidos de alucinações, nos fazem lembrar as visões tortuosas do jovem poeta Artur Rimbaud. (Editorial do Jornal Pequeno)

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